PARTO NORMAL: BOM PARA A MÃE,
MELHOR PARA O BEBÊ.
Parto normal é o mais vantajoso método de ter um filho.
Um verdadeiro mundo. Água, barulho quase inexistente, tranquilidade, paz. As batidas do coração transmitem segurança, como se Deus estivesse bem perto. Esforço, nem pensar. Comida farta para satisfazer as necessidades, que são muitas, pois começa a desenvolver-se um ser humano, bem ali, naquele mundo mágico.
Mas o tempo passa e o espaço fica pequeno para aquele ser que começa a crescer. Nove meses se passam e ele terá de abandonar o mundinho acolhedor, pois movimentar-se fica cada vez mais difícil. Um dia, a paz é interrompida. De repente, empurrões e mais empurrões, um canal se abre e o pequeno ser é apertado, espremido... nasce!
É dessa forma que todos vêm ao mundo ou, pelo menos, deveria ser. Mas antes de chegar a esta etapa, junto com todos os procedimentos do pré-natal, a futura mamãe tem de tomar uma decisão, para muitas, dificílima: escolher se o parto será normal (vaginal) ou cesáreo.
O nascimento é uma experiência complexa. É um acontecimento natural e tem de ser encarado como tal, principalmente, na hora do parto. É a mulher quem decide se será normal, pois é ela quem assumirá as consequências da escolha. O médico tem obrigação de aconselhá-la sobre o melhor método e será seu parceiro na decisão.
O nascer natural
Natural e normal são palavras que se usam sem pensar nos seus significados. São terminações óbvias. Em se tratando de parto, é preciso refletir sobre suas concepções. O Dicionário Aurélio Buarque de Holanda diz que normal seria “o que é segundo a norma, habitual, natural. Aquilo que se estabelece como base ou medida para avaliação de algo”. O termo natural, é definido como “algo de ou referente à natureza, sem intervenção humana”.
Dados os significados, pode-se compreender a razão do parto normal ser chamado dessa forma. Simplesmente, ele não tem intervenção e por seguir uma ordem regular. É espontâneo, inato e segue um instinto. Por isso é natural e mais indicado.
Neste tipo de parto, a mulher sente contrações de cinco em cinco minutos, em média, que duram entre 60 e 90 segundos. Esta etapa, conhecida como fase de transição, indica que o bebê está chegando. Depois, a futura mamãe, involuntariamente, sente o desejo de empurrar o bebê. Quando a cabeça da criança chega ao canal vaginal ela também fará pressão no reto, que se achata para que se abra ainda mais o canal. A partir daí, a cabecinha do novo ser humano aparece e o nascimento se torna uma realidade.
O parto normal é o meio que as mulheres, desde o princípio dos tempos, tiveram seus filhos. Com as evoluções científicas surgiu a cesárea,
forma cirúrgica que os médicos encontraram para amenizar dores do parto e ajudar a gravidez de risco. É uma solução para salvar a vida da mãe e filho,
quando há complicações. Mas se tudo está bem, não há motivos para optar por ela.
Parto Cesareano
No século XX, houve significativo avanço na medicina. Na medida em que esse avanço propicia um diagnóstico de doenças, quando o bebê ainda está no útero, ajuda na segurança e sobrevivência da mãe e do filho. É possível até curar anomalias fetais através de cirurgias intra-útero. A tecnologia aumentou o número de mães que não querem parto normal. Em algumas regiões do Brasil, o crescimento do número de cesáreas foi de 10% a 20% e há regiões em que o índice atinge 80% dos partos.
Outro fator que influencia no aumento no número de cesáreas é que, alguns médicos, não incentivam o parto normal, que pode levar de 4 a 8 horas, enquanto uma cesareana chega a pouco mais de uma hora. Além do tempo que é tomado, o médico tem de estar disponível no momento em que o bebê nascer.
“A cesareana é mais prática, em se tratando de tempo. Cheguei a ficar uma tarde completa fazendo um trabalho de parto normal. Deixar que a criança venha ao mundo naturalmente é demorado, por isso a cesárea é opção frequente e, absurdamente, incentivada por muitos médicos. Mas o parto normal deve ser sempre tentado e é o método mais saudável de ter filhos. É indicado para qualquer gestante, desde que não tenha nenhuma recomendação para um parto cesáreo”, explica a ginecologista e obstetra Wélita França.
A professora Mariela Guimarães, há três meses teve seu segundo filho, o primeiro de parto natural, e diz que não se arrepende por ter optado por esse método. “Quinze dias após o nascimento, estava com minha vida retomada. Quando fiz a cesárea, do primeiro filho, tive algumas complicações e cheguei a passar quase dois meses de cama. A recuperação do parto normal foi rápida, e se tivesse informação mais detalhada sobre os dois métodos cinco anos atrás, com certeza, teriam sido dois partos normais”, afirma a professora.
Não se deve esquecer que algumas condições médicas levam necessariamente ao parto cesareano, como:
Referente à mãe |
Referente ao feto |
- Herpes genital em atividade
- Câncer genital
- Canal estreito em relação ao diâmetro da cabeça fetal
- Debilidade materna grave
- Tumor que bloqueie o canal de parto, etc.
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- Hidrocefalia
- Meningomielocele
- Posição transversa (“atravessado”)
- Gêmeos
- Peso superior a 4.000g, etc.
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Vantagens
Tanto para o bebê quanto para a mãe, as vantagens do parto normal são várias. A principal é disposição à convivência inicial com o recém-nascido, sem as dores da cirurgia. O parto normal permite que a mulher se
movimente de forma mais rápida e fácil. Não há cicatriz aparente e as dores abdominais são menores. Raramente ocorrem hemorragias e infecções.
Segundo Wélita França, a recuperação pós-parto normal é quase imediata. ‘’E usado, no parto normal, uma quantidade pequena de anestésico localmente no períneo, assim, complicações anestésicas são pouco prováveis e a mulher volta aos seus afazeres bem rápido. Eu enfoco, ainda, a diminuição de doenças tromboembólicas, que é um tipo de obstrução das veias e das artérias por meio de coágulos. Sem contar a redução de despesas hospitalares”.
O parto normal faz com que o bebê seja massageado durante a passagem pelo canal do parto, o que é importante para seus órgãos vitais. “Quando a criança está passando pela vagina é feita uma limpeza dos líquidos que estão dentro do seu pulmão, facilitando sua respiração”, diz a doutora França.
O parto normal ainda tem vantagens psicológicas. A interação mãe-bebê é maior do que aquela que ocorre em cesáreas: a mãe pode amamentar ainda na sala de parto, entra em contato com o filho mais cedo.
Quanto aos riscos, são quase inexistentes. Com a mãe, o que pode acontecer são lacerações do canal de parto, que pode ser reconstruído posteriormente. Com relação à criança, no final do trabalho de parto, a cabeça do bebê pode parar de descer, sendo indicada, neste caso, uma cesárea, uso de fórceps ou vácuo-extrator.
Para o bebê e para a mãe o parto normal se apresenta como a melhor e mais indicada opção. Entretanto, a decisão do método que será utilizado para o parto é tão significativa quanto a escolha de Ter filhos. Esta decisão deve ser tomada sob critérios médicos e levando em consideração primeiramente o desejo da mulher. O conhecimento sobre os tipos de parto, os prós e os contras, também é importante para uma escolha confiante. Mas o que a mãe nunca deve esquecer é que o parto “normal” é o mais “natural”.
Referências bibliográficas:
- SALES, Dênia – Revista Hebron Atualidades, nº 18 (julho-agôsto/2005.
(Do nosso correspondente enio@unimedaracati.com.br ) |