Burnout: o último patamar do estresse
Você já sentiu queda no seu rendimento de trabalho, perda de responsabilidade, motivação e interesse pela atividade profissional?
Antigamente o trabalho tinha uma conotação negativa, mesmo do ponto de vista religioso. Adão foi condenado ao trabalho porque Eva mordeu o fruto proibido. Expulsos do Paraíso, onde tudo era abundante e de fácil acesso, teriam que trabalhar e com suor conseguir o alimento de cada dia para sua sobrevivência. Com o passar dos tempos, essa idéia foi se modificando. O homem moderno costuma dar sentido à vida através do trabalho, que forma a identidade do indivíduo e que passa a ser um reflexo de sua profissão.
Nos últimos anos, é crescente o número de empresas que adotam medidas organizacionais visando a melhoria da produção e qualidade. Estas determinações, muitas vezes, pressionam os funcionários, o que os levam a insatisfação, a desmotivação e, até mesmo, a algumas doenças. Fadiga, distúrbios do sono, estresse e a Síndrome de Burnout .
A Síndrome de Burnout é um conjunto de condutas negativas: queda no rendimento, perda de responsabilidade, agressividade, perda de motivação, decepção e perda de interesse pela atividade de trabalho, com conseqüências na vida pessoal e na esfera familiar.
O conceito da síndrome surgiu nos Estados Unidos em meados dos anos 70, para explicar a deterioração do trabalho dos profissionais de organizações. Burnout é o resultado do esgotamento, decepção e perda do interesse pela atividade exercida pelo profissional e geralmente surge nas profissões que lidam diretamente com pessoas. É uma conseqüência da dedicação excessiva. Sua maior ocorrência é nas mulheres, que geralmente acumulam duas jornadas de trabalho. Além da atividade profissional, o cuidado com a casa, filhos e marido, entre outras coisas.
Existem algumas atividades consideradas "de risco": médicos, enfermeiros, professores, psicólogos, advogados, executivos, profissionais que têm suas carreiras destinadas ao cuidado com as pessoas, mas que muitas vezes, não conseguem cuidar de si mesmos.
Esta síndrome é uma experiência subjetiva que agrupa sentimentos e atitudes implicando em alterações, problemas e disfunções psicológicas com conseqüências nocivas tanto para a pessoa quanto para a organização em que ela trabalha além de afetar diretamente a qualidade de vida do indivíduo.
Segundo a psicóloga e assessora de recursos humanos, Sandra Regina Chalela Ayub , a empresa não é nada sem os recursos humanos. "Não adianta um grande investimento na empresa se não investir em seus funcionários. O alavanque empresarial depende diretamente dessas pessoas".
A importância do bem-estar e saúde do funcionário é grande para a empresa, que depende dele para seu perfeito funcionamento. Susan Andrews , graduada em Literatura e Antropologia em Harvard, doutora em Psicologia Transpessoal pela Universidade de Greenwich, autora do livro Stress a Seu Favor, afirma que as grandes empresas automobilísticas norte-americanas gastam mais dinheiro para combater o stress de seus funcionários do que gastam em aço, que é a matéria-prima para a fabricação de carros.
A qualidade de vida abrange ambiente de trabalho, saúde física, mental e social, capacitação para realizar suas tarefas com segurança e bom uso da energia pessoal e depende de tudo isto em conjunto.
Susan afirma ainda que a pessoa que está com a Síndrome de Burnout pode "infectar" os colegas com seus sintomas, atrapalhando o bom desenvolvimento da organização. A empresa deve ponderar os motivos de tal esgotamento e tentar sanar o problema, para o bem de ambos. Muitas empresas já estão se preocupando com o bem-estar e qualidade de vida de seus funcionários e inclusive promovem no início do dia uma ginástica especial (no Ceará, o Banco do Nordeste já começa a utilizar este recurso), cursos, treinamentos, promovendo integração entre seus funcionários de diferentes setores.
Susan conta ainda que, recentemente, um grupo de executivos da 3M de Campinas (SP) estiveram em seu parque ecológico Visão Futuro, em Porangaba (SP), para um dia de vivência anti-estresse. Quando retornaram a empresa, conseguiram fazer uma reunião - que normalmente durava seis horas - em apenas duas. Isso foi possível devido à sintonia entre as pessoas, que estavam relaxadas, felizes, resultando um clima de sinergia que aumentou o rendimento e produtividade.
Um funcionário tranqüilo, com boa qualidade de vida é bem mais produtivo do que um estressado, por esse motivo os setores de Recursos Humanos devem ficar sempre em alerta para detectar problemas resultantes do estresse, evitando o Burnout e, dessa maneira preservar a produtividade da empresa.
(Revista Universo Unimed - Ano 02 - nº08 - mar/abr 2004 - Compilado por Enio Módena) DICAS
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