Em 12 a 20% dos
pacientes temos antecedentes familiares de hipospádia.
Aproximadamente 10% dos meninos com Hipospádia também
terão testículos fora da bolsa escrotal (Criptorquia),
necessitando investigação diagnóstica
e tratamento cirúrgico.
Também é freqüente a ocorrência de
Hérnias inguinais.
3 - Quais são as causas da
Hipospádia ?
Esta malformação ocorre por múltiplos
fatores, podendo ser genético (Ex.: Sindrome de Reifenstein)
e/ou hormonal (Exemplo: deficiência da enzima "5-alfa-redutase",
ou deficiência de receptores hormonais a nível
celular do pênis).
O encurvamento distal persistente (chordee) é devido
a falta de desenvolvimento normal do corpo esponjoso que envolve
a uretra.
4 - Se nós tivermos outro
filho, quais as possibilidades de eles também nascerem
com hipospádia?
A possibilidade de outro irmão vir a ter hipospádia
pode ser de até 30 vezes maior do que na população
em geral.
5 – Qual é o tratamento
ideal para a Hipospádia ?
O tratamento começa logo após o nascimento,
evitando a circuncisão, pois o prepúcio (pele
que recobre o pênis) é essencial para a reconstrução
do pênis. Em alguns casos selecionados há necessidade
de tratamento hormonal pré-operatório.
Na maioria dos casos o tratamento cirúrgico é
realizado numa única cirurgia, com hospitalização
mínima após minuciosa explicação
para a família (e para o paciente, se ele tiver mais
de 2 anos). A idade ideal para a cirurgia é entre os
6 e 18 meses de vida, diminuindo o risco de trauma emocional.
Esta correçào cirúrgica é tecnicamente
difícil, e deve ser realizada por cirurgiões
com grande experiência. Existem mais de 300 técnicas
cirúrgicas descritas para correção das
diversas variantes de hipospádia, e a escolha da técnica
mais adequada dependerá do tipo de hipospádia
que o seu filho apresenta, e da experiência do cirurgião.
6 - Quais os benefícios do
tratamento cirúrgico, isto é, por que é
necessária a cirurgia ?
O tratamento cirúrgico visa :
- Permitir que o paciente urine de pé.
- Melhora estética
- Evitar as conseqüências psicológicas de
órgãos genitais malformados
- Permitir que no futuro tenha função sexual
normal.
7- Não precisa fazer alguns
exames antes da cirurgia ?
Nos meninos que tiveram infecção urinária
no 1º ano de vida ou que tem a forma proximal de hipospádia
serão pesquisadas as malformações urinárias
associadas, no mínimo com uma ecografia abdominal e
um Rx da bexiga denominado Uretrocistografia Miccionnal.
Em todos os pacientes serão realizados exames laboratoriais
de rotina no pré-operatório para confirmar que
o seu filho está em boas condições clínicas
para a cirurgia.
O pediatra o avaliará e confirmará que ele apresenta
boas condições clínico-laboratoriais
para a cirurgia.
Uma avaliação pré anestésica na
tarde do dia anterior à cirurgia servirá para
orientar os pais, e confirmar que a criança tem condições
anestésicas satisfatórias.
8- E quais são as complicações
mais freqüentes ?
- 20 – 40% necessitam reoperações, por
vazamentos (fístula), estreitamentos (estenose) ou
necrose na nova uretra.
- Infecções urinárias
- Alterações psicológicas (insegurança,
baixa-estima, ....)
As cirurgias complementares para correção destas
complicações deverão ser feitas com intervalo
entre elas de no mínimo 6 a 9 meses.
O resultado estético definitivo lembra o de uma circuncisão,
e só ocorre após 12 meses da cirurgia, mas sofre
alterações, melhorando seu aspecto durante a
puberdade. Os meninos frequentemente preferem dizer que foram
circuncidados, "operados de fimose".
9 - Como os pais podem preparar o
filho para a cirurgia ?
a) Em primeiro lugar os pais devem receber do cirurgião
orientações que lhes permitam conhecer como
será realizada a cirurgia, para que eles se sintam
seguros e possam transmitir esta segurança para seu
filho.
b) NÃO MENTIR , NEM ESCONDER do paciente o que será
realizado, mas também não entrar em detalhes
que ele não possa compreender, ou que possam assusta-lo.
Exemplo: evitar o uso das palavras "cortar", "tirar
fora", ...
c) Mostrar para o paciente as VANTAGENS da
cirurgia que ela compreende. Exemplo: poderá urinar
de pé sem molhar o tênis, facilitará a
higiene do pênis, ficará com o pênis parecido
com o do parente ou amigo que foi circuncidado ou operado
de fimose.
d) DIMINUIR o "medo do desconhecido"
- demonstrando amor, segurança, respondendo honestamente
todas as perguntas feitas, e levando-o, se possível,
a visitar e conhecer antecipadamente o hospital onde será
realizado a cirurgia.
10 - Os pais podem assistir a cirurgia
?
Nos meninos acima de 6 a 12 meses de idade é importante
que um dos familiares permaneça junto até que
ele durma, para que o paciente se sinta confiante. Em alguns
hospitais é permitida e incentivado a permanência
do pai e/ou da mãe ao lado da criança durante
a indução anestésica.
Durante o ato cirúrgico no entanto não é
permitido, por não ser necessário, para diminuir
os risco de infecção, e evitar transtornos a
rotina da sala cirúrgica.
Na Sala de Recuperação Pós-Anestésica,
os pais podem e devem permanecer ao lado do filho, tranqüilizando-o,
e auxiliando-o a se alimentar após estar bem acordado.
No quarto, se necessário a internação
hospitalar, os pais devem permanecer com o filho, e ele pode
receber visitas dos parentes e amigos.
11 - Como é feita a cirurgia ?
Nas formas mais distais o tratamento cirúrgico poderá
ser feita de Ambulatório. Isto quer dizer que o paciente
não precisa ficar internado, não precisa dormir,
passar a noite num quarto do hospital, evitando assim uma
maior separação do ambiente familiar, e diminuindo
os riscos de infecção hospitalar, e os custos
da cirurgia.
Quanto a técnica cirúrgica, e o local da incisão
cirúrgica, isto varia conforme a idade do paciente,
o tipo de hipospádia, e a experiência do cirurgião.
12 - E a anestesia, é local ou geral ?
Na infância, e mesmo na adolescência, se prefere
a anestesia geral, geralmente precedido pelo uso de um sedativo
e de um analgésico, pois
Evita que o paciente assista, participe e
se assuste durante o ato cirúrgico.
Evita a dor das "picadas" de agulha e da introdução
do anestésico local.
Permite que o paciente permaneça quieto, sem se movimentar
durante a cirurgia .
O paciente não se lembrará de nada que ocorre
na sala de cirurgia, não tendo portanto nenhum trauma
psicológico.
Por ser muito seguro (risco de complicações
severas inferior a 1 em cada 5.000 anestesias, e risco de
óbito ao redor de 1 em cada 200.000 anestesias).
13 - E depois da cirurgia, quantos dias a criança
necessita faltar a aula ?
As crianças, se possível, são operadas
numa quinta ou sexta-feira, e frequentemente podem retornar
as aulas na segunda-feira, mas com a recomendação
de que evitem exercícios físicos que possam
traumatizar a região cirúrgica por 2 a 3 semanas
(Exemplos: - "lutas", jogar bola, andar de bicicleta,
"skate", patins, "rollers",...).
Se for necessário a utillização de sonda
vesical nos primeiros 7 a 10 dias, o paciente pode permanecer
em casa até a retirada desta sonda.
Bibliografia
"Cirurgia Pediátrica" – Maksoud, J.
G. e colaboradores – 1998 – editora RevinteR
"Clinical Pediatric Urology" – Kelalis,P.P.;
King, L.R. e Belman, A. B. – 3ª edição
– 1992 – B. Saunders
"Pediatric Surgery"- Ashcraft, Keith e Holder, Thomas
e colaboradores – 2.000 – Saunders
"Pediatric Urology"- O’Donnell, B.; Koff,
S. A. e colaboradores – 3ª edição
– 1997 – Butterworth
"Diagnóstico Cirúrgico para o pediatra"
– Leite, C. S. e colaboradores - 1999 – editora
RevinteR
"Tratado de Pediatria" - Nelson, W.E. e cols. 15ª
edição - 1997 - Guanabara-Koogan
RESPONSÁVEL PELA DOCUMENTAÇÃO: DR. LIONEL
LEITZKE(Cirurgião Pediátrico Geral e Urologista
Pediátrico)
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