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O
CORAÇÃO DOS BRASILEIROS
Pesquisas revelam que o coração dos brasileiros
não anda nada bem
Coração, órgão
central da circulação. Músculo cuja função
é recolher o sangue proveniente das veias e lançá-lo
nas artérias. Sua cor é vermelha, tendo o volume
aproximado do punho fechado da pessoa. O funcionamento de
nenhum outro órgão é percebido com a
facilidade com que notamos sua atividade. Sentimos os batimentos,
a aceleração do seu ritmo durante algum esforço
físico ou a diminuição em período
de descanso.
História
Antigas civilizações,
como a egípcia e a asteca, concebiam o coração
como um órgão mítico. No Egito Antigo,
o órgão era pesado na balança dos deuses,
que decidiam sobre a salvação da alma, pois
representava a consciência do morto. Já os astecas
consideravam o coração como a chave da vida.
Muitas vezes era arrancado em sacrifícios humanos e
oferecidos ao Deus Sol (Teotihuacan). Na Grécia Antiga,
o coração foi percebido como sede da alma e
centro da vida intelectual e emoções.
Os mitos a respeito do coração começaram
a ser desvendados por Cláudio Galeno, último
grande médico da antiguidade, que revelou o papel vital
exercido pelo coração. No século XVII,
o médico inglês Willian Harvey explicou os princípios
da circulação sanguínea, o que acabou
com o mito sobrenatural que era atribuído ao órgão.
O Coração
dos Brasileiros
Entretanto, o mais
importante não é saber as dimensões do
coração, nem tampouco sua história, e
sim conhecer a importância que o músculo possui
na vida do ser humano, bem como os cuidados que devem ser
tomados para seu bom funcionamento. Mas será que os
brasileiros estão cuidando bem desse órgão
vital? Afinal, como anda o coração dos brasileiros?
A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), através
da pesquisa Corações do Brasil,
constatou que a saúde do brasileiro não anda
nada bem. Os fatores de risco para o desenvolvimento das doenças
cardiovasculares estão aumentando de forma alarmante.
Essa foi a conclusão a que chegaram os especialistas
envolvidos no estudo que mapeou o país e conseguiu
definir quais tipos de problemas, que levam ao infarto do
miocárdio, prevalecem em cada região do Brasil.
Fatores de Risco
As doenças cardiovasculares
lideram a lista de causa de morte no país, com 300
mil óbitos por ano. Tabagismo, ingestão excessiva
de alimentos não saudáveis, sedentarismo, abuso
de bebidas alcoólicas e estresse social figuram como
verdadeiros vilões para o coração. A
pesquisa constatou que 13% da população brasileira
fazem uso diário de bebida alcoólica (a região
Sudeste tem o maior percentual do país), 83% são
sedentários (no Nordeste o índice chega a 93%),
25% fumam e 14% das pessoas apresentaram níveis de
triglicerídeos acima do considerado normal.
A hipertensão arterial e a arteriosclerose
são as principais causas dos óbitos. Ambas tem
um componente hereditário. Começam na infância,
progridem na adolescência e dão continuidade
clínica na idade adulta. Quanto ao colesterol,
os dados apontam que uma em cada cinco pessoas tem colesterol
acima de 200mg/dl, nível considerado perigoso pelas
entidades internacionais de saúde
A população de baixa renda é a que mais
sofre com o problema. Entre os que possuem renda familiar
mensal de até um salário mínimo, 27.50%
estão acima dos níveis recomendados. O número
cai 17.20% - mais de 10 pontos percentuais – na população
de classe média, com renda mensal entre R$ 2.601,00
e R$ 5.200,00. Para piorar a situação, de 35%
a 50% dos pacientes coronários têm elevados níveis
de gordura (colesterol e triglicerídeos) no sangue.
Esta é a maior prova que o colesterol tem relação
direta com o surgimento das doenças do coração.
Outro grave problema avaliado pelo Projeto Corações
do Brasil é a obesidade abdominal.
Simples de ser observada, basta usar uma fita métrica
para medir a circunferência da cintura. O excesso de
gordura na região leva a uma série de alterações
no organismo que podem elevar as chances de desenvolver doenças
cardíacas.
A diretriz mais recente sobre obesidade abdominal, da Federação
Internacional de Diabetes (IDF), recomenda que a circunferência
abdominal das mulheres seja de no máximo 80 cm e a
dos homens não deve ser superior a 94 cm. Medidas maiores
do que essas podem comprometer a saúde. De acordo com
os números revelados pelo projeto, apenas 30% das mulheres
e 55% dos homens estavam dentro dos padrões recomendados
pela IDF. A diabetes contribui de
forma importante para o desencadeamento do enfarte do miocárdio.
Pesquisa
Os resultados da pesquisa
mundial intitulada From the Heart, aplicado pelo instituto
Adelphi Market Research e divulgada na última semana
de outubro de 2005, também alarmaram a comunidade médica
internacional. Cerca de dois terços da população
avaliada em 10 países da América Latina, Europa
e Ásia não sabem que as doenças cardiovasculares
são as que mais matam no mundo.
O estudo mostra que os brasileiros também não
têm conhecimento sobre o problema. No país, em
cada 10 pacientes avaliados, oito não sabiam que o
colesterol alto pode causar um ataque cardíaco, e um
quinto não associava o problema às doenças
cardiovasculares. Mais do que ignorar os riscos, os brasileiros
não sabem da sua própria condição.
Conforme os dados, metade dos entrevistados não sabia
o seu nível de colesterol sanguíneo e desconheciam
o patamar saudável.
Informação
Segundo o cardiologista
Rui Monteiro Soares, a falta de informação sobre
os problemas coronários se dá principalmente
na população de baixa renda, por falta de políticas
públicas na saúde. “A falta de propaganda
para esse tipo de população é um dos
fatores que levam à desinformação. Grande
parte dos brasileiros não é orientada devidamente,
por isso não procura um atendimento médico.
Além disso, mesmo que tenha conhecimento de algum problema,
o tratamento em geral é muito caro”.
Outro grande problema das doenças cardiovasculares
é que não há sintomas ou degradação
da qualidade de vida até que o evento ocorra. Por isso
os entrevistados revelaram temer mas as doenças como
câncer e AIDS do que os problemas coronários
que provocam cerca de 17 milhões de mortes
a cada ano no mundo. Isso significa que uma pessoa
morre a cada cinco segundos!
Os números apontam para uma urgente necessidade de
mudança nas políticas de saúde pública,
assistência social e projetos educacionais no Brasil.
No entanto, a primeira atitude para prevenir os problemas
coronários é incluir no cardápio alimentos
saudáveis. “A dieta deve ser rica em fibras solúveis
– verduras, frutas, cereais integrais – com a
ingestão de seis gramas por dia. Evitar gorduras saturadas
– carnes gordurosas, manteiga, creme de leite –
sal em excesso e açúcar refinado. Caminhar rápido
cerca de cinco quilômetros, pelo menos três vezes
por semana, é um ótimo começo para manter
o coração saudável. Porém, antes
de qualquer exercício, é recomendável
fazer teste ergométrico para saber até onde
ir – conhecer seu limite”, aconselha o Dr. Rui.
O estilo de vida e o comportamento diário também
são elementos determinantes para o desenvolvimento
desses problemas. Os médicos alertam que é preciso
observar o histórico clínico da família.
Quem tem parentes próximos que já apresentaram
infarto agudo do miocárdio, acidente
vascular cerebral ou doença vascular
periférica deve ficar atento. Fazer um check-up
anual é um bom começo.
FONTE DE CONSULTA:
- SALES, Dênia - Revista HEBRON Atualidades –
nº 21 – JAN/FEV 2006 |